VENDAS DE AÇOS PLANOS RECUARAM 9,8% EM FEVEREIRO, O PIOR VOLUME PARA O MÊS DESDE 2006 Diário do Comércio 23/03/2017

As vendas de aços planos no mercado brasileiro em fevereiro atingiram o pior volume para o mês desde 2006. No período, a comercialização de chapas grossas, laminados a quente, chapas zincadas, chapas eletrogalvanizadas, chapas pré-pintadas e galvalume pela rede de distribuição do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) somou 215,5 mil toneladas e também caiu 9,8% em relação a janeiro, quando o volume vendido já havia sido o mais baixo para o mês desde 2009.Em comparação com as vendas domésticas de aços planos no mesmo mês do ano passado (242,9 mil toneladas), o volume comercializado em fevereiro deste exercício foi 11,3% menor. Segundo o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a queda verificada no bimestre chega a algo próximo de 6% e, caso não haja melhora, as projeções de crescimento de 25% nas vendas de março podem não se concretizar.“Uma das razões para a queda das vendas é que existe uma resistência dos clientes em aceitar os aumentos de preços, então, eventualmente, eles estão resistindo dentro dos limites dos seus estoques”, disse. Loureiro lembrou que, após um reajuste de 50% em 2016, em janeiro deste ano as siderúrgicas promoveram um aumento em torno de 9,5% para laminados a quente e a frio. “As margens já estão baixas e não tem como vender mais barato do que comprou”, acrescentou.
Além de alguns clientes estarem optando por consumir os estoques e adiar as aquisições em razão do aumento de preços anunciado em janeiro, outro motivo para a queda nas vendas, conforme Loureiro, foi o aumento das importações de produtos planos neste ano em relação a 2016.“A rede do Inda trabalha com pouco material importado, ou seja, a revenda do aço estrangeiro é feita por tradings e revendedoras não associadas. Este tipo de negócio é feito fora do Inda e acabou por reduzir a participação do instituto dentro do número global das vendas nacionais”, explicou Loureiro.
Com base nas informações do Inda, as importações de aços planos encerraram fevereiro (59,4 mil toneladas) com queda de 52,4% em relação a janeiro, mas deram um salto de 144,3% na comparação com idêntico mês de 2016, quando as compras externas somaram 24,3 mil toneladas.A rede nacional de distribuição comprou 222,2 mil toneladas de aços planos em fevereiro, com recuo de 11,1% em relação a janeiro. Em relação ao mesmo mês de 2016, quando o volume chegou a 224,9 mil toneladas, a queda apurada foi de 1,2%, conforme as informações do Inda.Os estoques de fevereiro sofreram alta de 0,7% frente ao mês anterior e atingiram o volume de 918,3 mil toneladas.
O giro dos estoques também registrou evolução e fechou o segundo mês deste ano em 4,3 meses.Para este mês, a projeção do Inda é de um crescimento de 25% tanto nas compras quanto nas vendas de aços planos. No entanto, como destacou Loureiro, a estimativa pode não ser concretizada. “De uma certa maneira, houve uma recuperação da demanda por parte do setor de autopeças e máquinas e equipamentos, especialmente máquinas agrícolas. Porém, estamos preocupados, e se não houver uma retomada efetiva, nossa projeção pode não se consolidar”, pontuou.

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