Como o mercado de trabalho vai se remodelar dentro desse contexto de indústria 4.0

Engineer holding Computer notebook or laptop and a power plant with the Electricity Authority Industrial technology concept

Com a revolução da indústria 4.0, um dos grandes desafios do Brasil é recrutar profissionais e buscar por talentos preparados para os riscos e também oportunidades que a quarta revolução tem a oferecer.

Uma pesquisa da Deloitte analisou como as empresas têm reagido a esta mudança, como estão se preparando para encará-la e também como estão se adaptando diante do atual cenário. Em relação ao Brasil, a pesquisa aponta que ainda há muitos desafios a serem superados, principalmente no que diz respeito ao fator humano.

Isso porque quando se fala em indústria 4.0, pensa-se somente em tecnologia e inteligência artificial, no entanto um fator muito importante que precisa ser considerado são as pessoas.  Afinal, serão elas que conduzirão as transformações necessárias para poder encarar essa revolução e aproveitar as oportunidades.

Nesse momento, o papel da liderança e gestão se torna fundamental para o desenvolvimento das pessoas e das tecnologias nas indústrias. Entretanto, apesar de ainda haver muitos desafios a serem superados no Brasil, o mercado de trabalho já tem se remodelado para a indústria 4.0. Quer entender mais como isso está acontecendo? Basta ler este artigo até o final. Boa leitura!

O país busca por qualificação

Um levantamento divulgado em agosto de 2019 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que o Brasil terá que qualificar cerca de 10,5 milhões de trabalhadores na indústria até 2023.

O estudo aponta ainda que a demanda maior será por qualificação para trabalhadores em ocupações industriais nos níveis técnico, superior, qualificação profissional e aperfeiçoamento.

A maior demanda, nesse sentido, deve ser feita pelo aperfeiçoamento de profissionais já empregados – somente 22% correspondem à capacitação de profissionais que irão ingressar no mercado de trabalho.

Na prática, isso significa que os profissionais já atuantes no ramo industrial terão de buscar aperfeiçoamento e capacitação profissional para se adaptar às mudanças e tendências da indústria 4.0 – buscando principalmente conhecimento tecnológico e desenvolvimento de capacidade analítica, ou seja, capacidade de avaliar e trabalhar com informações e dados.

Isso quer dizer que com o tempo os métodos e aplicações de trabalho hoje utilizados se tornarão obsoletos. Dessa forma, o profissional não poderá se manter apenas com os conhecimentos que tem, principalmente no que tange à tecnologia, isto é, precisará buscar mais conhecimento e desenvolvimento para se manter ativo no mercado de trabalho.

As profissões ligadas à tecnologia tendem a crescer nos próximos anos

Ainda de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023, as profissões relacionadas à tecnologia estão entre as que mais irão crescer no setor industrial nos próximos anos. No entanto, o número de vagas “high tech” (de alta tecnologia) estimadas para serem criadas neste período são relativamente baixas considerando o setor. Esse indicativo demonstra a baixa intensidade tecnológica da indústria nacional.

Esse mapa é elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) que tem como objetivo subsidiar sua oferta de cursos. Para os diretores, um crescimento que antes era residual, passou a se tornar representativo a partir desse levantamento – o que mostra também como o mercado de trabalho tem se remodelado no contexto da indústria 4.0.

A demanda por qualificação de 10 milhões de brasileiros acontece porque com a revolução 4.0 as indústrias terão, em algum momento, que adotar máquinas mais modernas para suas linhas de produção, o que consequentemente demandará mais conhecimento técnico dos trabalhadores.

Ainda assim, mesmo diante de um cenário considerado não tão bom para as empresas, muitas serão obrigadas a investir em máquinas e equipamentos mais sofisticados se quiserem permanecer ativas no mercado.

Vale lembrar que as áreas que mais demandarão qualificação profissional, são:

  • Transversais (1,7 milhão);
  • Metalmecânica (1,6 milhão);
  • Construção (1,3 milhão);
  • Logística e transporte (1,2 milhão);
  • Alimentos (754 mil);
  • Informática (528 mil);
  • Eletroeletrônica (405 mil);
  • Energia e telecomunicações (359 mil).

Além disso, conforme dito anteriormente, essa qualificação prevista inclui em grande parte o aperfeiçoamento e a requalificação de profissionais que já estão empregados e, em menor quantidade, equivalente a 22%, referem-se aqueles que precisam de qualificação para ingressar no mercado de trabalho.

Crescimento

Quase todas as empresas brasileiras já reconheceram a urgência em adotar novas tecnologias. Segundo uma pesquisa realizada pela Avanade, empresa da Accenture e Microsoft, mais de 90% dos executivos têm como objetivo integrar computação quântica, IA conversacional, IoT, blockchain, experiências imersivas, assim como tecnologia de segurança e privacidade em suas operações. Apesar dessa consciência, somente 50% deles pretendem fazer essa integração nos próximos três anos.

Com isso, um dos grandes desafios em implantar essas tecnologias tem sido justamente o fato de que o talento dos profissionais nem sempre está disponível para integrar a tecnologia na velocidade que as empresas necessitam, ou seja, torna-se mais do que necessária a requalificação profissional até mesmo para a melhor expansão da indústria 4.0.

A busca por profissionais

Diante desse cenário, a Deloitte também analisou como está a busca por profissionais no contexto da indústria 4.0 no Brasil. Na pesquisa, 54% dos entrevistados afirmaram encontrar dificuldades para atrair talentos com as competências necessárias para atuar na revolução.

Além disso, 38% dos entrevistados atestam que realmente faltam profissionais com conhecimento tecnológico e demais competências suficientes para atender as necessidades.

Nesse sentido, é papel das lideranças que pretendem fazer a adoção de novas tecnologias pensar em formas de preparar adequadamente os profissionais, considerando a preparação necessária para formar perfis profissionais que realmente atendam as demandas das empresas.

O Brasil de fato tem avançado no caminho que diz respeito às adaptações à indústria 4.0, no entanto esse crescimento ainda é pequeno, centralizado principalmente nas grandes corporações – cenário que precisa ser ampliado. Afinal de contas, apenas para se ter uma ideia, o país investe cerca de US$ 11 bilhões ao ano em novas tecnologias, enquanto a China investe US$ 500 bilhões ao ano.

Além disso, é preciso considerar que a educação formal no Brasil infelizmente ainda olha para passado, enquanto precisamos mesmo é olhar para o futuro e para as novas tendências como algo próximo, buscando adequação das empresas às novas tecnologias e capacitação profissional qualificada para atender essas demandas. O fato é que profissionais com maior capacidade analítica se darão melhor nesse cenário e o mercado de trabalho já está em busca deles.

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